Friday, July 13, 2007

Canção do Exílio

Queridos amigos,

    Na próxima terca-feira, dia 17 de julho, a produção do espetáculo CANCAO DO EXILIO - texto e direção de PRBerton - estará promovendo um jantar-lancamento do projeto na churrascaria gaúcha – av. Praia de belas, 618, as 20:30. Nesta ocasião os artistas e técnicos envolvidos contarão um pouco sobre o processo de criação do espetáculo, o qual irá estrear no dia 4 de agosto, no Teatro de Arena, dentro das comemoracoes de 40 anos daquele espaço cultural da nossa cidade. O dinheiro arrecadado será utilizado para o financiamento do projeto. Cada convite de R$ 20,00 dá direito a janta, um refrigerante e desconto de 50% na compra de ingresso ao longo da temporada. Uma oportunidade ímpar de conhecer o processo de criação artística de uma forma descontraída e divertida. Quem estiver interessado em participar, incentivando assim a produção teatral gaúcha, deve ligar para ( 84077996) , os lugares são limitados. Grande abraço.

P. R. Berton

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Thursday, July 12, 2007

Drama e Arte, por David Mamet

“O teatro tem como tema a jornada do herói, sendo o herói e a heroína aquelas pessoas que não cedem à tentação. A história do herói é sobre uma pessoa que está passando por um teste que ela não escolheu.”

“Quando você entra no teatro, tem de estar disposto a dizer: ‘Estamos todos aqui para entrar em comunhão e descobrir que diabos anda acontecendo neste mundo.’ Se não estiver disposto a dizer isso, o que você recebe é entretenimento em vez de arte, e entretenimento pobre, ainda por cima.” 

“Aquilo que o herói requer é a peça. Numa peça perfeita não encontramos nada extemporâneo a esse desejo único. Todos os incidentes prejudicam ou ajudam o herói/heroína na busca da meta única.”

“Venho trabalhando com platéias em foros diferentes há trinta anos ou mais. E nunca encontrei uma platéia que não fosse, coletivamente, mais esperta do que eu, e não sacasse a piada final antes de mim. Por toda a minha vida essas pessoas pagaram o meu aluguel. Não me considero superior a elas e não tenho desejo algum de muda-las. Por que deveria, e como poderia? Não sou diferente delas. Não sei nada que elas não saibam. Uma platéia (uma população) pode ser coagida por uma mentira, uma propina (uma arma); e pode receber instrução/pregação. Por qualquer um que tenha um púlpito improvisado e falta de respeito. Mas em todas essas alternativas acima está-se abusando da platéia. Ela não está sendo “mudada”, está sendo forçada.”

“Os dramaturgos que tencionam mudar o mundo assumem uma superioridade moral para com a platéia e permitem que a platéia assuma uma superioridade moral para com as pessoas na peça que não aceitam os pontos de vista do herói. Não é função do dramaturgo provocar mudanças sociais. Há grandes homens e mulheres que causam mudanças sociais. Fazem isso por meio de custosas demonstrações de coragem pessoal (…) Mas a finalidade da arte não é mudar, e sim encantar. Não acho que sua finalidade seja nos esclarecer. Não acho que seja nos mudar. Não acho que seja nos ensinar. A finalidade da arte é nos encantar.”

“A compreensão de nossa vida, de nosso drama (e o drama no palco ou na tela não pode ser nada além da compreensão de nosso drama pessoal) – essa compreensão se resolve em três tempos: ‘era uma vez’ (a narração que nos habilita a entender a dificuldade/desejo/meta do herói); ‘anos se passaram’ (o período intermediário de lutas); ‘e aí um dia’ (a complicação inevitável, ainda que imprevista, engendrada, literalmente posta em existência, pela busca do herói no período intermediário – a precipitação da luta final – que pode ser vista como a outorga do desejo do herói, engendrada no período intermediário, por via de um combate às claras que resolveria de forma absoluta a causa em questão).”

“A maioria dos grandes dramas versa sobre algum tipo de traição. Alguém chegou para Arthur Miller após uma estréia e falou: ‘Foi uma boa peça, mas você não podia chama-la de A vida do caixeiro-viajante?’ Só que uma peça não trata de coisas boas que acontecem com pessoas boas. Uma peça trata de coisas bastante terríveis que acontecem com pessoas que são tão boas, ou não tão boas, quanto nós mesmos.”

“A heresia da era da informação não é nem que a razão vá triunfar, e sim que a razão já triunfou. Só que, como a constatamos em nossas vidas, para cada mil vezes em que é empregada como racionalização, a razão é utilizada apenas uma vez para aprofundar nossa compreensão. E a lição purificadora do drama é, em seu nível mais elevado, a falta de valor da razão.”

“É de nossa natureza elaborar a percepção em hipóteses, depois reduzir essas hipóteses a informações em cima das quais possamos agir. Esse é o nosso mecanismo de adaptação especial, equivalente ao vôo dos pássaros; é nosso instrumento de sobrevivência particular e único. E o drama, a música e a arte são uma celebração desse instrumento, exatamente como o maníaco vôo de acasalamento da galinhola ou o salto da baleia para fora d’água. O excesso de capacidade/energia/talento/força/amor é expresso por cada espécie de um modo específico. Nas cabras, pulando; nos seres humanos, criando arte.”

David MametDavid Mamet é um consagrado dramaturgo, roteirista e diretor de cinema norte-americano. Entre seus trabalhos de maior sucesso estão os roteiros de “Mera Coincidência” (Wag the Dog), de 1997, e “O Veredito” (The Verdict), de 1982, pelos quais foi indicado ao Oscar de Roteiro Original. É seu também o roteiro de “Os Intocáveis” (The Untouchable), dirigido por Clint Eastwood. Foi premiado em 1984 com o Pulitzer por sua peça teatral Glengarry Glen Ross. Ele continua escrevendo para teatro e cinema, bem como mantém sue trabalho como diretor de cinema.

Mamet mantém um interessante blog no qual publica textos e cartoons: The Huffington Post.

Obra da qual foram extraídos os textos acima:

MAMET, David. Três usos da faca. Cambridge, Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2001.

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Thursday, June 28, 2007

Projeto SOLTE O VERBO

Estarei ministrando uma das oficinas do projeto SOLTE O VERBO, do Centro Cultural CEEE Érico Veríssimo, e aproveito este espaço para divulgar um pouco da minha faceta de professor…


SOLTE O VERBO

De 16 de julho a 20 de outubro é tempo de soltar o verbo no Centro Cultural CEEE Erico Verissimo.

O projeto SOLTE O VERBO prevê diversas oficinas de criação literária que envolvem:

  • Aulas;
  • Participação em saraus;
  • Participação em espetáculo de encerramento do módulo;
  • Publicação de textos na internet;
  • Mostra de trabalhos, fotos e vídeos em exposições;
  • Participação em sessões de contações de histórias.

A inscrição para as oficinas oferece a possibilidade de participação em todas as atividades. Uma vez definido o dia e horário de preferência dos interessados para cada oficina, faremos as inscrições no Caffè di Trento(mezanino do CCCEV), a partir de 3 de julho.

Cada oficina:

  • Uma vez por semana;
  • Duração de 40 horas (30 horas aula + 10 horas de participação em atividades paralelas);
  • Certificados de participação para alunos que tiverem 75% de presença;
  • Sala exclusiva (O Retrato – 4º andar do CCCEV), com todo o suporte técnico (projeção, DVD, VHS, TV, flipchart).

Valores de inscrição por oficina (total de 40 horas - com aulas de julho a setembro):

R$ 150,00 (que poderão ser parcelados em 3 vezes, com cheques)

R$ 100,00 (para estudantes e acima de 60 anos).

 

OFICINA

OPÇÃO 1

OPÇÃO 2

OPÇÃO 3

Poesia e Performance
Telma Scherer

Iniciação ao Conto
Maurício Chemello

Literatura infantil e juvenil*
Cláudia Laidens

Poesia e Canção
Diego Petrarca

Criação Poética
Lorenzo Ribas

Contação de Histórias
Grupo da UFRGS

Crônicas
Jaime Cimenti

Literatura em Língua Inglesa -

Robertson Frizero Barros **

SEG
(manhã)

QUI
(manhã)

SÁB
(manhã)

TER
(manhã)

SEX
(manhã)

SEG
(tarde)

SEG
(noite)

QUA
(manhã)

SEG
(tarde)

QUA
(tarde)

TER
(tarde)

SÁB
(manhã)

SÁB
(tarde)

SÁB
(manhã)

QUA
(noite)

QUA
(noite)

SEG
(tarde)

QUA
(tarde)

TER
(tarde)

SÁB
(manhã)

SÁB
(tarde)

SÁB
(manhã)

QUA
(noite)

SÁB
(tarde)

* A oficina de Literatura infantil e juvenil é voltada para alunos com mais de 50 anos

** A oficina de Literatura em Língua Inglesa prevê conhecimento Intermediário/Avançado no idioma, pois será ministrada inteiramente em inglês, bem como serão usados os textos originais, tanto teóricos quanto de literatura.

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Cenários para discussão - Teatro Universitário (imagem 5)

William Temple Davis fez este projeto para o “Improviso de Ohio” (Ohio Impromptu), uma peça de um ato de Beckett, para a Universidade de Denver, USA.

Ohio Impromptu  

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Cenários para discussão - Teatro Universitário (imagem 4)

William Temple Davis fez este projeto do “Tartufo”, de Moliére, para a Universidade de Denver - uma ótima oportunidade para compararmos duas distintas propostas para o mesmo texto (vejam o projeto de Richard Filkenstein!).

Tartufo

Tartufo

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Cenário para discussão - Teatro Universitário (imagem 3)

Eis aqui um projeto para “O Mercador de Veneza”, de Shakespeare, pelo mesmo Richard Filkenstein.

Mercador de Veneza Mercador de Veneza

Posted by Frizero at 14:58:22 | Permalink | Comments (3)

Cenário para discussão - Teatro Universitário (imagem 2)

Aqui vai a imagem de um projeto para a montagem do “Tartufo”, de Moliére, na Universidade do Colorado, EUA, assinado por Richard Finkelstein.  Vê-se o croqui e a execução.

Façam seus comentários!

Tartufo

Tartufo

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Monday, June 25, 2007

A Função da Arte, por Leon Tolstói

Para se definir corretamente arte é, antes de mais, necessário deixar de a considerar como um meio para o prazer e considerá-la como uma das condições da vida humana. Vista deste modo, é impossível deixar de reparar que a arte é um dos meios de as pessoas se relacionarem.

Toda a arte faz com que aquele que a aprecia entre num certo tipo de relação, quer com aquele que a produziu ou está produzindo, quer com todos aqueles que simultânea, prévia ou posteriormente, recebem a mesma impressão artística.

Tal como as palavras, que ao transmitir pensamentos e experiências das pessoas, servem como um meio de união entre elas, também a arte actua de forma semelhante. A particularidade desta última forma de relacionamento, e que a distingue do tipo de relacionamento por meio de palavras, consiste nisto: enquanto por meio de palavras uma pessoa transmite a outra os seus pensamentos, pela arte transmite as suas emoções.

[...]

Os sentimentos com que o artista contagia os outros podem ser os mais variados — muito fortes ou muito fracos, muito importantes ou muito insignificantes, muito maus ou muito bons: sentimentos de amor pelo seu próprio país, de entrega e submissão ao destino ou a Deus expressos numa peça dramática, arrebatamentos de amantes descritos numa novela, sentimentos de volúpia expressos num quadro, coragem expressa numa marcha triunfal, felicidade evocada numa dança, humor evocado numa história divertida, o sentimento de serenidade transmitido por uma paisagem ou por uma canção de embalar, ou o sentimento de admiração evocado por um belo arabesco — tudo isso é arte.

Desde que os espectadores ou ouvintes sejam contagiados pelos mesmos sentimentos que o autor sentiu, há arte.

A arte é uma atividade humana que consiste nisto: em uma pessoa conscientemente, por intermédio de certos sinais externos, levar a outras pessoas sentimentos que experimentou e que estas sejam contagiadas por tais sentimentos e os experimentem também.

A arte não é, como os metafísicos dizem, a manifestação de alguma misteriosa idéia de belo ou de Deus; não é, como os psicólogos estéticos dizem, um jogo que serve para se descarregar o excesso de energia acumulada; não é a expressão das emoções de uma pessoa através de sinais externos; não é a produção de objetos que agradem; e, acima de tudo, não é prazer; mas é um meio de união entre pessoas, unindo-as nos mesmos sentimentos, e indispensável à vida e ao progresso em direção ao bem-estar dos indivíduos e da humanidade.

Leon Tolstoi, O Que é a Arte?(1896)

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Lutzenberger e ‘O Mundo é Assim’

Rincão Gaia Tendo beneficiado até o dia 05 de junho de 2007 mais de 15 mil crianças da rede pública escolar de Porto Alegre e região metropolitana com a gratuidade do ingresso, ainda está em cartaz no Teatro Bruno Kiefer da Casa de Cultura Mario Quintana, a peça de teatro “O Mundo é Assim…”, de Christian Lavich Goldschmidt e Vera Potthoff. Os autores se valeram da experiência em utilizar as artes como ferramenta educacional para fazer “eco-alfabetização”.

A idéia de escrever uma peça de teatro que falasse sobre a obra de José Lutzenberger surgiu em janeiro de 2003 quando o ator e escritor Christian Lavich Goldschmidt encontrou-se com Fritjof Capra, físico e teórico de sistemas e um dos diretores-fundadores do Centro de Eco-Alfabetização de Berkeley, Califórina. Amigo de Lutzenberger e autor de diversos livros campeões de vendas em vários países do mundo, como “O Tao da Física”, “O Ponto de Mutação”, “A Teia da Vida” e “Conexões Ocultas”, Capra veio ao Brasil para participar do Fórum Social Mundial. Na ocasião, aproveitou a oportunidade para conhecer o Rincão Gaia, sede rural da Fundação Gaia, quando passou um dia conversando e falando à amigos e colaboradores da instituição sobre sua antiga amizade com o ambientalista gaúcho, suas obras e, sobre tudo, de sua experiência em utilizar as artes como ferramenta para fazer “eco-alfabetização” para alunos de 1º e 2º graus nos Estados Unidos.

A peça conta as aventuras de três jovens de 12 (Lilly, vivida pela atriz Andréa Ayres e Malu, interpretada por Patrícia Ragazzon) e 10 anos (Teco, vivido por Christian Goldschmidt) que, desestimulados com o ambiente duro e sem vida do condomínio fechado em que vivem, se transportam para o Rincão Gaia, uma antiga pedreira fadada a se tansformar em lixão que Lutzenberger transformou em um verdadeiro paraíso ecológico. As aventuras no Rincão tornam-se divertidas e inteligentes. O contraste mostrado na peça entre os condomínios fechados e a natureza expressa a realidade transformada pelo ambientalista. A peça é voltada ao público infantil, mas também é indicada para jovens e adultos, pois procura aproximar e fortalecer o espírito de encantamento e respeito com o mundo natural do qual somos apenas parte. De um texto leve e de fácil compreensão, a peça é educativa, didática e divertida. A cada momento surgem elementos novos para aguçar a curiosidade da platéia. A peça conta com músicas e coreografias que falam dos contrastes da cidade e do campo, versando sobre a problemática do lixo, preservação de fauna e flora silvestre, e a desconstrução da visão antropocêntrica predominante que cataloga os demais membros da grande comunidade terrestre em benéficos e “perigosos” para o homem.

O projeto é uma parceria entre Fundação Gaia - Legado Lutzenberger, Casa de Cultura Mario Quintana e Oficina de Teatro Olga Reverbel, com apoio da Secretaria Estadual de Educação e Secretaria Municipal de Educação de POA. O patrocínio é da Multilab Indústria Farmacêutica, com Produção da Ato Produção Cultural.

O projeto se estende até o final de agosto de 2007 e tem como objetivo, além de despertar a consciência ambiental nas crianças e jovens, proporcionar, na maioria das vezes, a oportunidade inédita destes alunos descobrirem o encanto de um verdadeiro teatro.

As apresentações acontecem todas as terças-feiras, e são oferecidas 04 sessões ao longo do dia. Os horários das apresentações são: manhã às 09:30 e às 10:30 e à tarde 14:30 e às 15:30. Em cada sessão o teatro comporta 200 crianças.

As escolas que querem a oportunidade de assistir à peça de teatro gratuitamente deverão entrar em contato nos seguinte números:
Para as Escolas Estaduais de porto Alegre e Região Metropolitana: Fundação Gaia Fones: (51) 3330-3567 / 3331-3105
Para as Escolas Municipais de Porto Alegre: SMED. Fones: 3289-1866 - falar com Conceição ou Eva.

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Monday, June 18, 2007

DIferentes tipos de palco

A evolução do teatro acompanhou as mudanças ocorridas nos tipos de palco onde eram feitas as encenações.  Aqui estão algumas das configurações de palco mais conhecidas - em vermelho, o palco ou plataforma de apresentação e, em cinza, o local onde se posicionava o público:

Teatro Medieval

Teatro Renascentista

Teatro da Restauração

Teatro Moderno

 

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